Startups

Por Manuela Tecchio — São Paulo


Contratar adquirentes, emitir boletos, organizar as contas a receber e até manter o controle da inadimplência são algumas das necessidades que tornam complexa a vida de qualquer empreendedor — do pequeno ao grande. A iugu, uma fintech de automação financeira B2B, promete simplificar esse processo unificando todo o backoffice das startups numa só plataforma, com um custo menor que dos bancões. Para ter fôlego no crescimento e diversificar os produtos e serviços, a fintech acaba de levantar R$ 100 milhões para fazer antecipação de recebíveis, num FIDC subscrito pelo Bradesco BBI.

A iugu fica com os 5% do fundo referente às cotas subordinadas e o Bradesco absorveu os 95% do FIDC em cota sênior. A H2Kapital foi estruturadora e o BBI o coordenador exclusivo na oferta 476. O banco fica também com a custódia e a administração, por meio da BEM DTVM.

“O objetivo desse FIDC é criar mais flexibilidade financeira para a iugu em bases competitivas, fazendo com que a gente consiga suportar todo o crescimento dos nossos clientes”, diz André Luiz Gonçalves, diretor financeiro da fintech. “Nossa missão é garantir acesso ao funding, muito mais que buscar retorno financeiro”. Outras séries do fundo devem ser lançadas em breve, diz o executivo, depois de cumprir o lock-up regulatório de quatro meses.

Entre os serviços que a fintech oferece hoje, a maioria ainda fica na ponta do "cash in", com soluções de meios de pagamentos, mensalidades e assinaturas, e quitação para marketplaces. O foco agora é ampliar as soluções de "cash out" para o empreendedor, a começar pela antecipação de recebíveis. Na pandemia, com maior necessidade de liquidez, a demanda aumentou como alternativa ao crédito.

Gonçalves, CFO da iugu: FIDC com o Bradesco amplia portfólio de soluções para o cliente — Foto: Divulgação

Gonçalves, CFO da iugu: FIDC com o Bradesco amplia portfólio de soluções para o cliente — Foto: Divulgação

Operando com SaaS e white label, a iugu já atraiu clientes como GetNinjas, DogHero, Contabilizei e Vittude. São cerca de 4 mil clientes ativos na plataforma, mas como cada empresa pode cadastrar seus usuários para recebimento de comissão, o ecossistema na prática conta com mais de 65 mil subcontas ativas — cuidadores do Doghero, por exemplo, ou os psicólogos da Vittude.

Há também uma vantagem tributária para os clientes da iugu, diz o CFO. Ao garantir um meio de remunerar de forma automatizada as plataformas e seus prestadores de serviço, a fintech gera uma única nota fiscal, agilizando e simplificando a contabilidade. Uma das clientes, a consultoria EthosX, reduziu em 60% os custos de emissão de boletos com a automação financeira após contratar a startup; já a FreeCô aumentou vendas em 15% ao dar mais opções de pagamento aos clientes, garante o executivo.

Em 2020, a iugu captou R$ 120 milhões em uma série A com a gestora do Goldman Sachs. Antes disso, havia captado pouco mais de R$ 12 milhões apenas com investidores anjo. O capital ajudou a turbinar o crescimento e, no ano passado, a fintech registrou R$ 66 milhões de receita líquida e, na média dos últimos cinco anos, dobra de tamanho anualmente.

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